domingo, 21 de agosto de 2016

todos se mostraram impacientes por partir.

"Assim que a Poupa terminou, os pássaros puseram-se a discutir, emocionados, a glória desse rei, e, ansiando tê-lo como soberano, todos se mostraram impacientes por partir. Resolveram ir juntos; cada qual se fez amigo do outro e inimigo de si mesmo. Mas quando começaram a compreender quão longa e penosa seria a viagem, hesitaram e, apesar da aparente boa vontade, entraram a escusar-se, cada qual de acordo com o seu tipo."
Attar, A Conferência dos Pássaros, Marcador, p. 22.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Acidentes

Não se gravou nada, mas nove peças foram ejectadas do baixo  e o kaossilator pifou por simpatia. 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Naufrágios

"Terminado o meu sermão, ela enxugou-me as lágrimas com o peito da camisa, sem pensar que com aquela caridosa atitude ostentava diante dos meus olhos dois rochedos capazes de fazer naufragar o piloto mais experimentado."
Giacomo Casanova, História da Minha Vida, Divina Comédia, 2013, p.72.

domingo, 29 de novembro de 2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A nova opereta do trio


Na noite seguinte, a sinfonia voltou a aparecer

"Talvez o exemplo mais comovente tenha sido aquele que Berlioz nos proporciona nas suas memórias:

Há dois anos, quando o estado de saúde da minha mulher me acarretava grandes despesas, mas havia ainda esperança de a vermos melhorar, sonhei uma noite que estava a compor uma sinfonia, e ouvi-a durante o meu sonho. Ao despertar na manhã seguinte, conseguia lembrar-me de quase todo o primeiro andamento, que era em dois tempos, um allegro, em Lá menor [...] Aproximei-me para começar a escrevê-lo, quando subitamente pensei: «Se escrever isto, vou ter de escrever o resto. Hoje as minhas ideias tendem sempre a expandir-se, e a sinfonia poderia acabar por exigir uma escala enorme. Vou gastar talvez três ou quatro meses a trabalhá-la (levei sete a escrever Romeu e Julieta), e durante esse tempo deixarei de escrever os meus artigos, ou escreverei muito poucos, o que fará com que as minhas receitas diminuam. Depois, quando a sinfonia estiver pronta, terei a fraqueza de me deixar convencer pelo meu copista a encomendar-lhe a cópia, o que representará uma dívida de mil ou mil e duzentos francos. Depois de copiado o trabalho, serei assediado pela tentação de ver a sinfonia tocada. Darei um concerto, cujas receitas mal cobrirão metade dos custos - é inevitável nos tempos que correm. Perderei o que não ganhei e ficarei sem maneira de prover às necessidades da minha pobre inválida, e não terei com que cobrir as minhas despesas pessoais, nem de pagar a pensão do meu filho a bordo do navio em que ele está para embarcar.» Estes pensamentos arrepiaram-me e pus de lado o papel dizendo para comigo: «Para que me hei-de afligir? Amanhã terei esquecido a sinfonia!» Na noite seguinte, a sinfonia voltou a aparecer e a ressoar obstinadamente na minha cabeça. Ouvi muito distintamente o allegro em Lá menor. Mais ainda, parecia-me vê-lo escrito. Despertei num estado de excitação febril. Cantei o tema de mim para mim, e o seu carácter e a sua forma agradaram-me muitíssimo. Estava prestes a levantar-me. Mas os meus pensamentos anteriores retiveram-me de novo. Continuei deitado, crispando-me contra a tentação, agarrando-me à esperança do esquecimento. Acabei por adormecer, e quando tornei a despertar a recordação da sinfonia dissipara-se para sempre."

 Oliver Sacks, Musicofilia, Relógio D'Água, 2008, p. 283-284.         

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Diário de bordo revisitado

Cogumelos
Projecto 2000
Projectos interactivos
Toca toda a gente
Pós - universitários
inclusivé
Tiritiguitombe.

A única vez que ganhamos
foi aquela que não tocamos.

Concluídas as incertezas
com chá encerra-se a sessão!

17.IV.2000

Diário de bordo revisitado


QUINTA-FEIRA DA QUARESMA

Como Cristo está o imediato desaparecido.

14:30: o Cmdt. atracou à Francisco Ornelas com Material diverso - livros, revistas e ideias.
17:30: o imediato continua incontactável.

Segundo testemunha farragoteana, o imediato excedeu-se em muito na noite passada, dizendo tudo com graça mesmo quando lhe foi pedido o contrário.

Ouviu-se Pascal Comelade.
Alguns exercícios foram praticados.
O próximo ensaio é para quando der jeito.

Cmdt: "Augura-se a nova fase Mazoni".

20. IV. 2000

domingo, 3 de maio de 2015

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Paz à sua alma.

Morreu Babuska - uma das cantoras do trio.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Claudius Ptolomeu - o velho - vai estrear o filme intitulado:



"O sobrinho-neto da cozinheira da casa do estucador D'antoniete Dacosta".

O sobrinho-neto

domingo, 4 de janeiro de 2015

SOBRE O ZUM-ZUM NAS CORTES

Justiça, é sem dúvida um dos factores que levam o Clandestino a quebrar sua característica de “homem de poucas palavras”. Em recente correspondência com o Marujo, ficou para os anais registos seu justo dizer, sobre o assunto “o-marujo-promovido-a-oficial-da-ponte” e os diversos comentários proferidos a bordo da fragata, do qual, extracto abaixo se publica.
“(…)é exactamente o assunto que desde o início da publicação do despacho, me levou a fazer um comentário que terá passado despercebido na tripulação: nem o Marujo, nem o Comandante, são originadores/responsáveis pela dita controvérsia, pois estes viram-se enredados numa série de encadeados acontecimentos, e a escusa de qualquer de um deles poderia vir a ser igualmente controversa – a do Marujo em não aceitar a promoção e a do Comandante em declinar proposta apresentada pelo Duque de Medina da Confraria dos Escravos da Senhora (tal com se lê em despacho); e este sim, o Duque de Medina, em conjunto com o azar de Deus – a “borrasca súbita” – é que são os culpados (originadores/responsáveis); o Duque de Medina, não só, por motivo de lazeira, adiou a data original da viagem na patacha, condicionando assim o dia do naufrágio, bem como, foi ele a propor ao Comandante a promoção do herói; no meio de tudo isto, o Duque de Medina tem passado despercebido, o qual, embora por mim dito culpado, compreensivelmente agiu de boa-fé, vendo, certamente, no acto da proposta de promoção, forma de gratificar o seu herói – o Marujo.
Quanto a mim, só tenho a dizer o seguinte: ainda bem que me livrei desta, por troca com viagem terrestre na companhia dos, à data, futuros náufragos, da estufa-fria às poças de salute-per-acqua.”

Em privada conversa com o clandestino, este dizia que lhe foi confidenciado que o Duque de Medina, desde jovem idade, é conhecido pela mestria no jogo de bastidores, a tal ponte que, “nas cortes da fragata parcamente se regista seu falar, mas gerou falatório.”; e sobre este falatório, acrescentava que “são sentimentais essas vozes, pois entenda-se o-marujo-promovido-a-oficial-da-ponte, como um honoris-posto atribuído por gratificação ao Marujo-heroi.”

O primo’heterónimo

Relatório médico (opus 4)

O TRIO FRAGATA

Eu, médico de bordo desta Fragata, atesto, por mérito próprio, para conhecimento e devidos efeitos, no que concerne ao estado social, ao estado metafísico e ao estado físico da tripulação.

O Comandante, figura estranha e de porte altivo, raramente é visto no convés. Da última vez que me apresentei no seu camarote falou-me de Tycho Brahe e do seu nariz de Prata. Exemplificou-me também, no acrisolado rabecão e sempre fortissimo, a forma musical predilecta da Fragata: o aquecimento, definindo-a como algo semelhante ao stabat mater, poemeto sobre as sete dores da virgem Maria. No porão, contudo, correm zuns-zuns que ele é daqueles comandantes (como os de Hong-Kong) que, se fosse dono da sua vontade, nem o navio nem os tripulantes chegariam vivos a qualquer porto. A realidade é que ele já atirou o rabecão ao mar, gastando assim as suas parcas energias, e a sua última ordem foi “passa a ser proibido atracar em portos sem terra” (recordando a fugaz atracagem do trio no porto da Academia Tomás de Aquino) e não se rala com coisa nenhuma e terá sido avistado a navegar uma espécie de submarino no fundo de um dos canais de Veneza. Encontra-se, nos tempos que correm, incapacitado de falar muito, tendo, no formato de recaída, aparecido na baía de São Francisco com o show Antes que a Voz me Volte.

O Imediato é o tripulante mais difícil de lidar. Obstinado pelas grandes viagens, cultiva um interesse genuíno pela navegação e não é primeira vez que passa tormentas nos mares asiáticos. Lança apitos estridentes e para o encontrar basta ir ao tombadilho. Fala e muito e de tudo, com todos aqueles que frequentam aquela zona, como sejam o Sota-piloto-de-barra-leitor-freelancer-bailarina que teima em abandonar a embarcação sempre que ela larga amarras; o clandestino, que através do Imediato, mantém o nome mas não o estatuto - todos sabem que frequenta a sala de oficiais e que é homem de poucas palavras,  o ilustrador de bordo que ainda não o é e para o ser precisa de uma semana, ou ainda o poeta da proa que não se cansa de exclamar com voz de bombardino: “isto é um verdadeiro um navio!” Este oficial tem sido, sob supervisão de Espectro Naphta, sujeito de experimentalismos (há zum-zuns de possível demência benigna). Foi realizado E.E.G. vigil, com artefactos de mau contacto; o exame, com várias provas, foi efectuado durante o repouso. Nesta criatura assaz rebelde a actividade Alpha é abundante, irregular na morfologia e de frequência instável; durante a prova de hiperpneia há uma lentidão discreta e difusa da electro-génese.


O Marujo, sempre rodeado de mapas e com vagas noções de mareação, é figura arritmada embora já tenha tocado tambor para galeotes. Sempre que se fala de hierarquias na Marinha faz saber que abandonou a carreira promissora de grumete que lhe fora oferecida embora, recentemente, tenha sido promovido a Oficial da Ponte por “salvamento heróico de uma patacha” (assim se lê no despacho do Comandante, aqui). A causa do acto terá sido, segundo testemunhas já de si duvidosas - uma vez que também se sabe que um dos que estava na patacha terá dito ao outro: “ainda bem que ninguém viu!” -, “borrasca súbita”. Embora tenha perdido uma oportunidade de exibir a virtude da humildade, sabe-se que o suposto herói terá comparado a reunião de entrega do diploma às tardes de compras outrora decretadas pelo Comandante. É verdade que o marujo-promovido-a-oficial-da-ponte (será esta a correcta forma de o designar?) navega com boa vontade mas tropeça muitas vezes no cordame. Raramente se deixa levar pelos devaneios dos oficiais mas regista-os, acumulando, por vezes, funções de escrivão. Travou comigo uma longa conversa sobre a carta para Mozart de seu pai, onde este dava a notícia que não viajaria de coche por cuidado com as suas duas ameixas (incluindo os caroços).

A Tripulação, na eterna dúvida ‘se é para continuar ou não’, reúne livremente no castelo da proa. Ouve-se, no máximo como aconselha o Comandante, o verdadeiro sucesso “Vamos para Santa Rita e Pronto” (edição particular, 2002) - apesar ter esgotado, poucas horas após o lançamento, as vinte e duas cópias, amoleceu a ligadura entre fanáticos, mecenas e sócios não-tocantes. Um destes terá desabafado à distância e sem rigor de compasso[1]: “eu não sou músico, eu era era bom sócio”. O trio já foi jazístico, instrumental, conceptual, electrónico, milagroso, pantanoso, virtual e, mais recentemente, celeste o que, se calhar, foi o Conium maculatum do agrupamento.

Declaro que o trio escapou a várias aparições pro bono e sofreu duas recaídas: uma, em modo electro-acústico, com projecção de imagens tendo por mote a música das esferas. Aqui as principais referências foram um diagrama do kosmos e uma escala que faz corresponder intervalos sónicos às diferentes distâncias e velocidades das esferas (oito esferas e estrelas fixas). Esta queda levou a embarcação a três conhecidos portos, todos com terra. O capitão de um dos portos que, como se veio a saber depois da aparição, era também cantor afirmou ter assistido a “algo profundo, denso, questionante, ontológico” e de seguida colocou a mais recente gravação da sua voz no ar. A outra queda aconteceu na galeria Arco 8 tendo as imagens da música das esferas, por causa não apurada, sido projectadas em sentido contrário.

Registo que para o ano de 2020 a agenda do trio está cheia: começa a tournée Grand Staff (11 linhas).

Veja-se o documento abaixo relativo ao crescimento do trio (fulgor, recaídas e aquecimentos) nos períodos onde há actividade comprovadamente registada.



 

Janeiro de 2015

Famoso Doctor de bordo,

Albino do Lanhoso

fundador da Marcial Mariense.


[1] Teoria da Música de Ernesto Vieira, “os vocábulos italianos”, lição XLVIII.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A apologia de Sócrates



Arranque da digressão

A marcha até dois mil e vinte é lenta mas segura.

"Que seria mais belo que o céu, que contém todas as coisas belas?"

(Nicolau Copérnico)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Há falatório a bordo

sobre o velho marujo e novo oficial (ainda que contestado):


+ "Oxalá não lhe suba à cabeça!"

* "quem?"

~ "por mim não tinha havido promoção."


Para o Cmdt. comentar é parte do acontecimento.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

o crescendo do trio Fragata

     fulgor
        recaída
        e ensaios
rococó - neoclássico - romântico - moderno - contemporâneo

Despacho


sábado, 22 de fevereiro de 2014

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Ofício divino - as fervorosas fãs do trio


O trio está à espera da contra reforma. 
Entretanto, vai fazendo uns turn around .
No ano de 2020 a agenda está cheia
começa a tournée Grand Staff (11 linhas).



segunda-feira, 15 de julho de 2013

terça-feira, 2 de julho de 2013

Disco Branco ~ Trio Fragata no Alpendre ~

Preâmbulo 


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 1. Abertura

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2.Corpo

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3. Homilia




Realizador: Mestre Lobão.
Matracas e ar: ilustrador de bordo.
Sede do Alpendre. Angra do Heroísmo. 5 de Maio de 2007

sexta-feira, 15 de março de 2013

RECADO DO COMANDANTE

S.Francisco Xavier é o mentor do novo Papa. Augura-se grandes vôos para o Trio. O padre Rêgo aposta em que o nome escolhido foi dois em um: S. Francisco Xavier e S. Francisco de de Assis. O Trio aguenta bem com os dois.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

'Os cinco no Taller' é um álbum de escultura iracunda.

Nick Cave das Furnas 

(NCF and trio)

Bela Tarr (2007)

domingo, 23 de dezembro de 2012

a batalha do rio de Perlis (1547) - Escultura sonora



  "Ao outro dia de manhã os navios inimigos embandeiraram e atroaram os ares com o toque dos tambores e sinos, ao mesmo tempo que as suas guarnições faziam grande algazarra em sinal de vitória. Apanharam então os achéns um pequeno barco de pescadores que se dirigia para a cidade, aos quais Bayaya Soora, barbaramente, mandou cortar as orelhas, os narizes e os tendões dos pés. E por estes desgraçados, horrivelmente mutilados, enviou um cartel de desafio ao capitão da fortaleza para que saísse a combater a sua armada, acrescentando que se o não fizesse passaria a considerar o rei de Portugal como o último dos vassalos do rei do Achém!
O capitão de Malaca nessa altura era Simão de Melo. Lida a carta na presença dos fidalgos e soldados que estavam com ele todos se riram dos dislates nela contidos, mas ninguém pensou em tomar a sério o desafio, uma vez que os únicos navios que havia em Malaca, depois de queimados os que estavam fundeados na ilha das Naus, eram meia dúzia de fustas velhas. Entretanto, a armada achém levantava ferro e desaparecia rumo ao Norte.
Nesse tempo estava em Malaca o padre jesuíta Francisco Xavier, regressado havia pouco das Molucas com fama de santidade. Quando teve conhecimento do cartel de desafio de Bayaya Soora verberou a atitude do capitão e demais fidalgos e soldados dizendo-lhes que não indo combater os infiéis cobriam de vergonha o nome de Portugal e a religião de Cristo! Tentaram defender-se aqueles explicando ao padre que as poucas fustas que estavam em Malaca não se encontravam em estado de navegar. Pois que as consertassem, retorquiu aquele! Argumentou o capitão que não havia nos armazéns da fortaleza nem breu nem estopa para as calafetar. Obstinado, Francisco Xavier respondeu-lhe que havia muita gente rica em Malaca que tinha breu, estopa e tudo quanto era preciso para aprontar as fustas. E quanto a serem estas muito poucas, que não lhe viessem com um argumento tão ridículo, pois bem sabiam que combatendo com Cristo por capitão o número dos inimigos não contava!"
(BATALHAS E COMBATES da Marinha Portuguesa)